Por Bia Parra
Deste muito cedo em minha vida tenho entrei em contato com a
vida e a obra do grande mestre brasileiro Cândido Portinari. Isso porque íamos
com muita frequência para fazenda de meu avô e Brodowski, cidade onde nasceu e,
portanto tem várias de suas obras, fica bem perto.
Tenho que falar que talvez tenha sido o primeiro artista que
consegui acompanhar a obra de que tenho lembrança e agora com mais compreensão
de sua estética, posso verificar o quão maior é sua importância.
Portinari é filho de imigrantes portugueses e nasceu numa
fazenda de café em 1903 em Brodowski, interior de São Paulo. Teve uma educação formal deficiente e não completou
o ensino primário.



Muito bem relacionado com poetas, escritores, jornalistas e
diplomatas, Portinari participou da elite intelectual brasileira em uma época em
que se verificava uma grande mudança na cultura do país resultando no reflexo direto
em sua trajetória.
Na década de 40 a consagração mundial aconteceu após Alfred
Barr comprar a tela "Morro do Rio" e imediatamente a expô-la no MoMA
em NYC. O interesse pelo artista se tornou algo grandioso. Fez exposição solo
em NYC e dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington.
Nesta ocasião, conheceu a obra que mudaria definitivamente
sua estética, “Guernica” de Pablo Picasso. Quando voltou ao Brasil em realizou oito
painéis conhecidos como “Série Bíblica”, fortemente influenciado pela visão de
Picasso de “Guernica” e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial.
Já em 1944, a convite do grande arquiteto Oscar Niemeyer,
iniciou as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo
Horizonte (MG). Por sinal o conjunto como um todo deve ser visitado, aproveite
que vai para ver os jogos da Copa que acontecerão em Belo Horizonte.

Efetivou sua militância política filiando-se ao Partido
Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, em
1947.
Já em 1948, Portinari exilou-se no Uruguai, por motivos
políticos, onde pintou o painel “A Primeira Missa no Brasil”, encomendado pelo
banco Boavista do Brasil.
Em 1949, fez o grande painel “Tiradentes”, narrando os episódios
do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio
colonial português.
A década de 50 ao mesmo tempo em que foi icônica, foi
dramática para Portinari. Atendeu a solicitação do Banco da Bahia e realizou
outro painel com temática histórica, “A Chegada da Família Real Portuguesa à
Bahia”. Expos na 1° Bienal de São Paulo com
tanto destaque que teve uma sala particular e iniciou os estudos para os
painéis “Guerra e Paz”, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da
Organização das Nações Unidas, os quais foram concluídos em 1956 medindo cerca
de 14mx10m cada, os maiores pintados por Portinari.

Aqui em São Paulo, na Fundação Maria Luísa e Oscar
Americano, lugar que amo e que serve um chá da tarde delicioso, é possível apreciar
as telas Meninos e Piões e Favela. Seu maior acervo sacro, entre pinturas e
afrescos, está exposto na Igreja Bom Jesus da Cana Verde, centro da cidade de
Batatais (onde também tem um dos melhores pães de queijo do mundo), interior de
São Paulo. São 23 obras, incluindo dois retratos, imperdíveis.
Acho que mais do que
informação, minha intensão foi reviver e trazer para o presente a grande
importância deste ícone da arte nacional, o grande mestre Cândido Portinari.
Um beijo e até mais.
*Informações:
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